Numa entrevista concedida a Arnaldo Jabor e publicada em “O Globo” no dia 11 de junho, o famigerado Marcola faz algumas revelações que, se verdadeiras, põem em cheque não apenas toda e qualquer esperança de dias melhores, mas a própria sobrevivência da sociedade brasileira. Vale a pena conferir e... tomar as devidas precauções!
Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como o Marcola, é o atual porta-voz da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Sua carreira no crime começou aos nove anos de idade, como trombadinha, no Centro de São Paulo. Abandonou a escola na sétima série primária, após ter sido reprovado duas vezes e ingressou no PCC.
Na entrevista que concedeu, desde a primeira pergunta – se fazia parte do PCC –, Marcola demonstra arrogância e agressividade: «Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível. Vocês nunca me olharam durante décadas. Antigamente era mole resolver o problema da miséria. O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, raras periferias. A solução é que nunca vinha. Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só éramos lembrados nos desabamentos dos morros e nas músicas românticas sobre "a beleza dos morros ao amanhecer!” Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo! Nós somos o início tardio de vossa consciência social. Viu? Sou culto! Leio Dante na prisão!»
Como a maioria dos brasileiros, também Marcola consegue entrever uma solução para tirar o país do buraco, solução, porém, na qual ele mesmo não acredita: «Solução? Não há mais solução, cara! A própria idéia de solução já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução, como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais. Tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psico-social profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução».
Por que Marcola não acredita no futuro do Brasil? «Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas. O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos,
empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Não há perspectiva de êxito. Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas. Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas».
Assim, em sua opinião, nada mais resta a fazer: «Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Vou ser franco. Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês não têm saída. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem a extensão do problema.
Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogna speranza voi che entrate!" Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno».
Se eu não fosse cristão, daria razão a Marcola: não existe futuro para a humanidade. Não vejo nenhuma força – nem mesmo o exército – capaz de deter a avalancha de violência e de corrupção que já tomou conta de praticamente todos os setores da sociedade. Tiramos Deus da sociedade, e seu lugar foi ocupado por tudo o que Marcola denuncia, mas que, infelizmente, ele também promove.
E isto é o inferno. «Lasciate ogni speranza voi che entrate». Por isso, ao invés de alimentar falsas esperanças, com paliativos que não levam a nada, como podem ser os muros, as armas e os presídios, o caminho a seguir passa pela conversão de nossos corações. Numa palavra, pelo amor: «Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo!» (Jo 15, 12)
Pode ser um caminho mais longo e mais difícil. Mas o único que leva à vitória. Porque não há ninguém que não se renda ao amor. Nem mesmo Marcola...
Dom Redovino Rizzardo, cs
Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como o Marcola, é o atual porta-voz da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Sua carreira no crime começou aos nove anos de idade, como trombadinha, no Centro de São Paulo. Abandonou a escola na sétima série primária, após ter sido reprovado duas vezes e ingressou no PCC.
Na entrevista que concedeu, desde a primeira pergunta – se fazia parte do PCC –, Marcola demonstra arrogância e agressividade: «Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível. Vocês nunca me olharam durante décadas. Antigamente era mole resolver o problema da miséria. O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, raras periferias. A solução é que nunca vinha. Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só éramos lembrados nos desabamentos dos morros e nas músicas românticas sobre "a beleza dos morros ao amanhecer!” Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo! Nós somos o início tardio de vossa consciência social. Viu? Sou culto! Leio Dante na prisão!»
Como a maioria dos brasileiros, também Marcola consegue entrever uma solução para tirar o país do buraco, solução, porém, na qual ele mesmo não acredita: «Solução? Não há mais solução, cara! A própria idéia de solução já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução, como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais. Tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psico-social profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução».
Por que Marcola não acredita no futuro do Brasil? «Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas. O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos,
empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Não há perspectiva de êxito. Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas. Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas».
Assim, em sua opinião, nada mais resta a fazer: «Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Vou ser franco. Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês não têm saída. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem a extensão do problema.
Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogna speranza voi che entrate!" Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno».
Se eu não fosse cristão, daria razão a Marcola: não existe futuro para a humanidade. Não vejo nenhuma força – nem mesmo o exército – capaz de deter a avalancha de violência e de corrupção que já tomou conta de praticamente todos os setores da sociedade. Tiramos Deus da sociedade, e seu lugar foi ocupado por tudo o que Marcola denuncia, mas que, infelizmente, ele também promove.
E isto é o inferno. «Lasciate ogni speranza voi che entrate». Por isso, ao invés de alimentar falsas esperanças, com paliativos que não levam a nada, como podem ser os muros, as armas e os presídios, o caminho a seguir passa pela conversão de nossos corações. Numa palavra, pelo amor: «Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo!» (Jo 15, 12)
Pode ser um caminho mais longo e mais difícil. Mas o único que leva à vitória. Porque não há ninguém que não se renda ao amor. Nem mesmo Marcola...
Dom Redovino Rizzardo, cs
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